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Sábado, 14 julho de 2007   edições anteriores
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  Auditoria da Petrobrás revela que máfia dos estaleiros agia havia 4 anos

Empresa levantou indícios de que Angraporto foi beneficiada com informações internas na licitação da P-22, em 2003

Wilson Tosta e Marcelo Auler, RIO

Investigação da própria Petrobrás mostra que a máfia dos estaleiros, revelada nesta semana pela Operação Águas Profundas da Polícia Federal, atuava há pelo menos quatro anos dentro da estatal. Auditoria da empresa indica vazamento de informações na licitação feita em 2003 para estadia e apoio da plataforma P-22.

Apesar de apresentar preços superiores para vários itens, a Angraporto Offshore, empresa acusada de ser pivô da máfia, derrotou a concorrente Renave. De acordo com documento da auditoria interna anexado à denúncia apresentada à Justiça, mesmo sem evidência material é possível “inferir” que houve vazamento sobre o local dos serviços - informação decisiva para a vitória da Angraporto.

Para “aluguel de área do estaleiro para atracação de plataforma”, a companhia sob suspeita pediu R$ 3.518.622,69, mas a empresa concorrente fez proposta de R$ 10.950.000. “Tomando-se os elementos do referido quadro para análise, observa-se que, excluindo-se o item de maior peso, aluguel de área do estaleiro para atracação de plataforma, a proposta mais econômica passaria a ser da Renave, R$ 1.653.261,00, menor inclusive que o valor orçado pela Petrobrás sem o item, R$ 2.370.751,24”, diz o texto.

Para os procuradores, os donos da Angraporto - Fernando Sterea, Mauro Zamprogno, Wladimir Gomes e Simon Clayton - chegaram a preço menor que a Renave, “pois já sabiam da mudança de escopo quanto ao local de atracação da plataforma, mais tarde incorporada pelo Aditivo 1, que seria firmado um dia após a assinatura do contrato original, o que gerou não só a desvinculação do objeto indicado no edital, como a própria alteração do objeto contratual”. Pelo aditivo, “a plataforma não mais ficaria ancorada no cais, mas sim em áreas abrigadas, vale dizer, na Baía de Angra dos Reis, bem público cuja utilização não ensejaria o pagamento de aluguel.”

ESCUTAS

Grampos telefônicos feitos pela Polícia Federal mostram indícios de como os controladores da Angraporto usavam as informações privilegiadas. Em 10 de maio de 2005, Zamprogno, ao falar sobre uma concorrência ligada à P-16, pediu a Carlos Feitosa, funcionário da estatal, que lhe passasse perguntas feitas por uma concorrente. “Deixa eu te falar um negócio aqui: eu queria saber das perguntas do outro”, disse ele. “Ué, tudo bem. Se quiser amanhã eu dou um jeito de passar para você”, afirmou o funcionário. “Tá bom, meu irmão”, respondeu.

Em grampo de 11 de maio de 2005, Zamprogno, em conversa com o gerente da P-16 e da P-14, Rômulo Miguel de Moraes, o instou a “pôr a cabeça para trabalhar” para não permitir que o estaleiro Mauá Jurong participasse de uma licitação, acusa o Ministério Público.

“Temos trabalho. Presta atenção. Tu tem que bater um papo com seu amigo aí... A Mauá tá entrando na concorrência”, disse o empresário. “Tem certeza?”, perguntou Moraes. “Vou te dizer de que maneira eles querem entrar. Eles querem colocar uma balsa enorme entre o cais e a plataforma pra poder desviar ela (sic) pra poder pegar oito metros, tá?”, diz Zamprogno.

Adiante, ele resumiu dificuldades a serem criadas para o adversário: “Tem que ser ao longo do cais, não pode utilizar o (...) para proteger o cara, um negócio desse assim, para segurança da operação, como é que ele vai fazer movimentação dessas aí, de guindaste, em cima de uma balsa?” Moraes concordou: “Exato!”

Para o Ministério Público, “a Mauá Jurong acabou vencendo a licitação, após ajuste espúrio com a Angraporto”. O estaleiro nega ter se associado à Angraporto para fraudes.

   



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